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Meu marido, o Príncipe Louco do submundo, uma vez incendiou um quarteirão inteiro só porque um rival olhou para mim de um jeito torto.
Agora, ele me força a ajoelhar na garoa gelada de São Paulo, vestindo nada além de uma fina camisola de seda.
Em sua mão, ele segura um tablet que controla os aparelhos que mantêm meu irmão em coma vivo, ameaçando matá-lo a menos que eu confesse ter maltratado sua nova amante.
Para salvar meu irmão, engulo meu orgulho e confesso um crime que não cometi.
Mas o estresse é demais.
Eu perco nosso filho ali mesmo, manchando a neve branca e pura com um vermelho carmesim.
Dante nem pisca.
Ele passa por cima do meu corpo sangrando para consolar sua amante chorosa, me deixando para gritar sozinha por nosso bebê perdido.
Ele acha que me ensinou uma lição.
Ele me força a pedir desculpas à mulher que zombou de mim, mesmo enquanto meus pontos se rompem.
Ele não sabe que, enquanto guardava a porta para impedir a entrada dos médicos, meu irmão realmente morreu.
Ele não sabe que enterrei a única família que me restava em uma vala comum enquanto ele dormia com a mulher que me incriminou.
Em nosso décimo aniversário, ele enche a casa de lírios, esperando uma reconciliação.
Em vez disso, deixo os papéis do divórcio assinados na cama, pego um punhado de terra do túmulo e desapareço na noite.
Quando ele perceber a verdade, serei um fantasma que ele nunca mais poderá tocar.
Capítulo 1
Meu marido — o homem que uma vez incendiou um quarteirão inteiro simplesmente porque um rival olhou para mim de um jeito torto — era agora quem me forçava a ajoelhar na garoa congelante, vestida apenas com minha camisola de seda.
O inverno paulistano castigava minha pele.
Meus joelhos estavam dormentes, enterrados na fina camada branca que cobria o pátio da mansão Vitiello, mas eu não tremia.
Eu não ousava tremer.
Dante Vitiello estava de pé sobre mim.
Ele era o Don da Família Vitiello, conhecido no submundo como o Príncipe Louco por um bom motivo.
Ele usava um casaco de lã que valia mais que a casa onde cresci, parecendo em cada detalhe o ceifador que o mundo temia.
Ele segurava um tablet na mão enluvada.
A tela brilhava, lançando uma luz azul fantasmagórica em sua mandíbula afiada e cruel.
Na tela, havia uma transmissão ao vivo de um quarto de hospital.
Meu irmão, Luca, estava deitado ali, o silvo rítmico do ventilador respirando por ele.
A mão de um soldado pairava sobre o cabo de energia dos aparelhos de Luca.
— Me diga a verdade, Elena — disse Dante.
Sua voz era um rosnado baixo, desprovido do calor que costumava fazer meu sangue cantar.
— Você ameaçou a Sofia?
Eu olhei para ele.
Dez anos atrás, eu salvei sua vida em um beco, lutando como os pivetes com quem eu andava no Capão Redondo.
Ele me acolheu.
Ele me moldou.
Ele me coroou sua Rainha.
Agora, ele me olhava como se eu fosse algo em que ele tivesse pisado.
— Eu não toquei nela — sussurrei, meus dentes batendo contra a minha vontade.
Dante tocou na tela.
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